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CALOI 10 RECICLADA

Internauta conta como deixou
sua Caloi 10 em estado de zero
Alternativa barata para amadores e iniciantes
Uma vez li que bicicleta é como sapato: cada pessoa tem o seu tamanho de quadro.
Insatisfeito com os quadros padronizados de 19 polegadas que dominam o mercado, procurei nas bikes importadas um modelo adequado. Porém dois fatores me afastaram desta solução: o preço e a insegurança de sair às ruas com este tipo de bike.
Caloi 10: Sucesso nos anos 70 e 80
Curiosamente fui encontrar minha solução no fundo de uma garagem: pintura e aros enferrujados, raios partidos, selim rasgado e sujeira misturada com graxa por todo canto. Uma Caloi 10, quadro 58, com mais de 20 anos.
Lembrando um pouco a história destas lendárias bikes, veremos que elas começaram a ser produzidas na década de 70. Houve vários modelos: Caloi 10, Sportissima, Sprint, etc. Foram acompanhadas por suas irmãs gêmeas: Monark 10 e Peugeot 10. As C10 deixaram de ser fabricadas há mais de 10 anos, porém a geometria de seu quadro continua a ser utilizada nas Bianchi modelos SanRemo (grupo Campagnolo) e Volpe (grupo Shimano), ambas com quadro de cromo.
Mas como podemos transformar aquela sucata de fundo de garagem em uma bike atual, deve ser a pergunta que está na sua cabeça neste momento. Vamos começar juntando todas as peças que você encontrar e levá-las a uma bicicletaria. Lá a bike será inteiramente desmontada e feita uma avaliação do que poderá ser aproveitado e o que deverá ser substituído. Vamos analisar cada grupo de peças isoladamente:
1. Quadro e garfo: Comece removendo totalmente a pintura. O próximo passo é levá-los para um banho de fosfatização. Este banho removerá a ferrugem existente e criará uma fina camada de proteção. Só depois o quadro e o garfo serão pintados. Uma pintura custa em torno de 50 e o banho 20 reais. Este processo é utilizado pelo laboratório de pintura da Caloi, nas bikes novas.
2. Rodas: Certos modelos da C10 utilizam cubos de roda de flange alta, em alumínio. Caso você pretenda utilizar uma catraca similar e original, este é o melhor tipo de cubo. É difícil encontrá-los mas valem os 10 reais que você pagará por um usado. Não esqueça das agulhas de blocagem que permitem remover as rodas sem ferramenta. A partir de 10 reais cada. Monte as rodas com raios de aço inox e aros de alumínio de 27 pol. Os 72 raios sairão por 36 reais e os aros por 20 reais. Além de deixar a bike mais bonita e leve, você evitará problemas de corrosão. Quanto aos pneus, uma opção são os pneus Pirelli 27 x 1 1/8 ou 27 x 1 1/4. Cada pneu custa 15 e a câmara 5 reais.

Detalhe do câmbio: indexado de 6 velocidades |
3. Transmissão: Esta é a parte mais delicada: conservar ou não a relação pedivela-corrente-catraca original. Se ela estiver em bom estado dá para usar.
Vá até a coroa grande e puxe a corrente: se ela ceder, mostrando os dentes da coroa sem fazer força contrária, está na hora de trocar todo o conjunto. Na minha bike utilizei uma relação mais econômica: catraca Shimano de 6 velocidades, 28-14 dentes, indexada (25 reais); corrente indexada (12 reais); pedivela Tracer de duas coroas, 52 -40 dentes, em alumínio (65 reais); cubo central blindado, com eixo quadrado (20 reais) e pedais em alumínio (25 reais). Este será o maior investimento. Existem outras opções (grupos Campagnolo e Shimano). Logicamente os custos irão subir.
4. Câmbio: No meu caso aproveitei os câmbios e alavancas de mudança originais (Suntour). Foram imersos em ácido fosfórico para remover os pontos de ferrugem, lavados e lubrificados. Adaptaram-se perfeitamente à nova relação de transmissão. Caso você decida trocar, as opções são muitas e dependem da relação utilizada. Converse com o seu mecânico para que ele possa lhe orientar corretamente.
5. Freios: Caso sejam da Dia-Compe, em alumínio, nem pense em mudar. Substitua apenas as sapatas de borracha (4 reais).
6. Selim: Um selim de speed, em gel, da Selle Royal (30 reais) e um carrinho de fixação de 4 castanhas (4 reais) são obrigatórios. O conjunto irá garantir a sua correta postura sobre a bike.

Guidão e aros de alumínio
e blocagem no eixo
dianteiro |
7. Guidão: Outro item obrigatório: um guidão para speed em alumínio. Um dos mais famosos é o Cinelli, nos tamanhos 38, 40, 42 e 44 cm. Custam lá fora a partir de 30 dólares. Aqui não sai por menos de 80 reais. É muito dinheiro.
Compre um Kalloy, de Taiwan, tamanho 44. É bonito, tem boa empunhadura e custa 25 reais. Os manetes de freio originais são da Dia-Compe assim como o suporte de guidão, em alumínio. Se estiverem bons, conserve-os. São necessárias duas fitas para o guidão (12 reais). As melhores são de neoprene, sem fita adesiva.
Aos valores acima será adicionada uma taxa de mão-de-obra de montagem, que varia para cada oficina.
Quanto a bicicletaria muito cuidado. Confie sua bike, que esperou muito tempo para chegar às suas mãos, a quem realmente entenda e principalmente goste do que faz. Cito aqui dois profissionais que considero grandes:
Carlão: Se você pretende montar uma C10 mais arrojada, procure-o na Total Bike - Rua São Sebastião 454 - Sto. Amaro - São Paulo tel.: (11) 5183-5616. Profissional atualizado, ele lhe orientará nas diversas opções disponíveis.
Isaias: Caso opte por uma bike mais conservadora, ele é o mais indicado, inclusive para comprar uma C10 já pronta. Rua Zanzibar, 667, Freguesia do Ó - Fone: (11) 3951-8677.
Agora vamos fazer as contas. Sem troca de transmissão, prepare de 200 a 300 reais. Com a transmissão, a partir de 400 reais. É o preço de uma bike nova. Mas tenha em mente que se ela já durou 20 anos, com certeza durará outros 20. Dependerá muito do carinho que você a tratar.
Boa sorte!
fonte bikemagazine - www.bikemagazine.com.br |