Vale Europeu
Diversidade
de encantos, belezas, jeitos, histórias, sotaques, sabores, arquitetura
típica, climas, encantadoras paisagens
rurais e gente hospitaleira.
Santa Catarina é um admirável pedaço
do Brasil. O estado surpreende pela variedade de
paisagens naturais - Mata atlântica, florestas
de Araucárias, campos, lagos, cachoeiras,
serras.É um conjunto de cenários de
incrível beleza. E também encanta pelas
origens étnicas da população.
As cidades que preservam a história e os costumes
dos colonizadores alemães, italianos, poloneses,
suíços...As influências e a herança
cultural destes povos são visíveis
na arquitetura, na culinária, no folclore,
nas festas, nas crenças e manifestações
religiosas.
A diversidade geográfica e cultural privilegia
o turismo e a hospitalidade é uma característica
marcante dos catarinenses, que cultivam a arte de
bem servir.Nesse cenário em que as tradições
européias herdadas são uma característica
marcante deste roteiro na região norte de
Santa Catarina percorremos o Circuito Europeu de
Cicloturismo,
O Vale Europeu
O Vale do Rio Itajaí foi todo colonizado
por imigrantes europeus. Os primeiros a chegar foram
os alemães, a partir de 1850, que fundaram
as principais cidades do vale. No último quarto
do século XIX os italianos instalaram próximo às
cidades alemãs já existentes.
O Circuito tem um total
de 328 km com início
e final na cidade de Timbó. O percurso pode
ser dividida em parte alta e parte baixa. A parte
baixa acompanha o vale dos rios, indo de Timbó até Rodeio.
Há subidas e descidas, é claro, mas
retorna sempre a uma altitude pouco maior do que
a do nível do mar. A parte alta inicia-se
na cidade de Rodeio, por onde sobe a serra em direção às
represas, que ficam a cerca de 700m de altitude.É uma
região mais rural e isolada, em que a natureza
está fortemente presente.Por todo o roteiro
existem opções para uma boa refeição.
E os descendentes de europeus capricham na preparação
de pratos típicos.
Timbó a
Pomerode
53 km até o
Hotel Blaumberg
Asc. Total – 673 m / Elev. Máxima – 424
m
Timbó é o ponto de partida do circuito.
Localizada no centro do Vale Europeu, é chamada
de “Pérola do Vale”. O marco zero do início é em
frente ao Restaurante Thapyoca.Ali também é retirado
o passaporte do cicloturista, que como no “Caminho
de Santiago de Compostela”, deve ser carimbado durante
todo o percurso (no final, é entregue um certificado
de conclusão do Circuito Europeu de Cicloturismo).
O trajeto de 46 km, passa por alguns bairros rurais
e também pela cidade de Rio dos Cedros. A
partir do quilômetro 22, aparece uma leve subida
e próximo do quilômetro 30, há um
trecho de 1 quilômetro em que a subida fica
bastante forte. Dali pra frente surge uma longa descida
que persiste praticamente até o final do trajeto.
A partir do quilômetro 36 chegamos ao ponto
alto do dia, passando pela Rota Enxaimel. Enxaimel é um
estilo arquitetônico de origem germânica
em que a madeira assume a função estrutural.
A alvenaria fecha os vãos e os telhados têm
grande inclinação. Várias dessas
casas estão identificadas com placas que contam
um pouco da história da construção.
Uma dica para quem curte essas maravilhosas construções.
No quilômetro 39, ao invés de seguir
em frente como diz a planilha, siga pela direita.Há muito
mais casas nesse estilo e dá para chegar ao
centro da cidade cortando um longo trecho de paralelepípedo,
que apesar de embelezar mais as cidades do roteiro, é bastante
desconfortável para o ciclista. Nessa bifurcação
tem um mapa que permite o ciclista se localizar e
não se perder, mas na dúvida é só perguntar.
Pomerode é a cidade mais alemã do
Brasil. Colonizada a partir de 1861 por imigrantes
provenientes da Pomerânia, ao norte da Alemanha,
tem 20 mil habitantes – e cerca de 90 % fala alemão.
A cidade é bastante simpática, uma
das mais agradáveis do circuito. Uma famosa
atração turística da cidade é o
zoológico, fundado em 1932. Atualmente abriga
cerca de 600 animais de 155 espécies diferentes,
das quais 19 são espécies ameaçadas
de extinção. Destaque também
para o Museu Pomerano, o museu do Escultor Erwin
Teichmann, a Casa do Imigrante e o Recanto Mundo
Antigo.
Dicas em Pomerode:
- Fotos são obrigatórias com a bicicleta
nos dois belos Portais da Cidade, um na saída
de Jaraguá, próximo do ponto final
na primeira etapa; na saída para Blumenau,
na outra extremidade da cidade.
- Hospede-se no Hotel
Blaumberg, uma pousada confortável
e aconchegante onde o filho dos proprietários,
o Neto é mountain biker é conhecedor
de belos passeios de bicicleta pela cidade.
- Não deixe de
comer o delicioso chocolate da Nugali, bem no
centro da cidade.
- Para quem não curte a culinária
alemã, a dica é comer uma bela massa
no La Spezia.
Pomerode a Rodeio – 80
km até o
Hotel Villa Paradiso – asc. Total – 729
m – elev Max – 328
m
O programa sugerido pelo
site no caminho do segundo dia é de Pomerode a Indaial e o terceiro dia
de Indaial até Rodeio. Na quilometragem do
programa no site oficial muitas vezes não
constam trechos que atravessam algumas cidades. Por
isso se fizer uma comparação com as
nossas quilometragens vai encontrar grandes diferenças.
Só que na hora do cansaço qualquer
quilômetro a mais ou a menos é de grande
importância. Em nosso segundo dia emendamos
duas etapas percorrendo o trecho entre Pomerode até Rodeio,
somando um total de 80 quilômetros até o único
hotel da cidade de Rodeio, o Villa Paradiso Hotel.
São dois trechos de longas subidas nesse dia
até Indaial. O primeiro trecho, bem íngreme, “Rompe
Pernas”. É um trecho ainda com uma zona rural
bastante intensa. Atravessar a cidade de Indaial é um
tanto chato, pois a cidade é bastante cumprida
e o paralelepípedo torna um verdadeiro tormento.
Dali pra frente há um longo trecho plano,
margeando o Rio Itajaí Açu, mas de
muito movimento de carro até o Bairro Warnow.É um
trecho que exige muita atenção devido
ao grande fluxo de veículos (há muita
poeira em épocas sem chuva). Esse foi o único
trecho que não agradou o grupo de ciclistas.
Após contornar o rio o trajeto passa pela
cidade de Ascurra. A partir daí é visível à mudança
na arquitetura.Chegamos em uma área colonizada
por imigrantes italianos. A cidade de Rodeio tem
uma população de 10 mil habitantes,
situa-se na região do médio Vale do
Itajaí, em um local circundada por uma exuberante
mata da Serra do Mar, formando a região conhecida
como “Vale dos Trentinos, devido à numerosa
presença de oriundos trentinos que preservam
a cultura italiana - em particular a língua
de origem, o antigo Tirolmeridional. O nome Rodeio é atribuído
pela sua formação geográfica
do pequeno vale rodeado por vales e montanhas que
formam dois semicírculos. Os colonizadores
que subiram margeando o Rio Itajaí-Açu,
em busca da nascente, encontraram uma trilha de índios à esquerda.
Seguindo por ela alcançaram Timbó e
depois Indaial que era o ponto de partida - formando
assim um” círculo “ (ou melhor, um” rodeio “),
que deu origem ao primeiro nome Picada do Rodeio”.
A partir de Rodeio a viagem
fica mais bonita, passando por regiões rurais não tão habitadas
e por uma maravilhosa Mata Atlântica. É recomendável,
inclusive, que a viagem de bicicleta se inicie em
Rodeio.
Dicas em Rodeio
- Não deixe de comer no Restaurante Caminetto
e viajar no tempo nas histórias contadas
pelo seu proprietário – que, com certeza
dará um bom desconto para os ciclistas.
- Visite a vinícola San Michele e deguste
um vinho da região.
- No caminho rumo a Doutor
Pedrinho (etapa seguinte) pare na Giacomina,
uma Italiana legítima
e bastante simpática, e deguste os deliciosos
queijos e vinhos.É uma das melhores recordações
da viagem.
Rodeio a Doutor
Pedrinho – 48 km
Ascensão total – 1181 m / elevação
máxima – 746 m.
É um dia bem bonito durante todo o roteiro,
pois atravessa uma parte com muita mata e locais
interessantes e curiosos. É o dia também
com a subida mais longa de todo o circuito: 8 quilômetros.
Mas isso não é motivo para se assustar:
se o ciclista estiver bem preparado fisicamente,
sobe bem, porque a inclinação não é forte.
Logo no início da subida é possível
sentirmos o que vem pela frente, pois a rica vegetação
de Mata Atlântica toma a estrada. Suba prestando
atenção nos veículos, em especial
nos caminhões que não diminuem a velocidade
e nem desviam das bicicletas. Quase no meio da subida,
uma parada obrigatória no Laticínio
Giacomina.É uma casinha onde são fabricados
deliciosos queijos, salames e um vinho bem gostoso
(quase um suco de uva). Giacomina, a proprietária é uma
italiana legítima, da região de Trento,
bastante simpática e com muitas histórias
de sua região natal. Com certeza, fará o
cicloturista degustar tudo do que ela tem a servir.
Seguindo morro acima, as casas (muitas delas de veraneio)
têm estátuas de anjo quase no tamanho
natural de uma pessoa.À medida que vai subindo,
as estátuas de anjos vão aumentando.E
o trajeto vira uma verdadeira estrada dos anjos até a
imagem do Cristo, que também é rodeada
por anjos. A partir dali a subida fica mais forte
e a paisagem ainda mais deslumbrante. No fim da subida,
o prêmio: uma gostosa descida. Novamente é preciso
muito cuidado com os caminhões, pois neste
ponto há uma fazenda de extração
de madeiras e os caminhoneiros circulam por ali a
todo vapor. Fique atento nas curvas, o piso da estrada
de terra é bom e fazendo a bicicleta tomar
bastante velocidade. Fique atento nas curvas.O piso
da estrada de terra é bom e faz a bicicleta
tomar bastante velocidade. Fique atento também
no fim da descida, para não passar direto
pelo bairro.Siga sempre as setas amarelas.Após
a longa descida chegamos a um bairro mais movimentado.
Ali, um ponto de parada obrigatória: aIgreja
construída no estilo Enxaimel, única
no Brasil. Depois de alternadas subidas e descidas
e um longo trecho plano você chega em Doutor
Pedrinho.
Algumas dicas em Doutor Pedrinho:
- Fique atento na planilha
até chegar a
Doutor Pedrinho,principalmente na indicação
24,4 Km, antes da Igreja Enxaimel.É um trecho
que a maioria passa direto, mas fique tranqüilo
porque a estrada sai no mesmo local: a Igreja.
- Um pouco mais à frente, no quilômetro
29,8 o ciclista sai da estrada principal e atravessa
uma ponte bem rústica de madeira, seguindo
por uma estrada mais bonita e tranqüila.
- A única pousada na cidade é a Bella
Pousada, distante cerca 2 quilômetros do
centro. Fica no alto de um morro com uma vista
belíssima. É também o local
indicado para uma excelente refeição.
Doutor Pedrinho
a Alto do Cedro – 43 km
Ascensão total – 831 m / elevação
máxima – 862 m.
Em minha opinião o dia mais bonito e também
o mais selvagem, pois o trajeto corta os locais desabitados,
em meio a paisagens de tirar o fôlego - não
pelas subidas mais sim pela beleza. No trecho inicial é necessário
dar atenção especial aos caminhões
que não respeitam as bicicletas. No caso de
o cicloturista não ter um esquema de apoio
(o trecho é bastante ermo),é bom se
abastecer com água e fazer um lanche reforçado
(que pode ser encomendado antes na pousada).O início
da pedalada é bastante gostoso, em um trecho
plano de aproximadamente onze quilômetros,
até a entrada da Cachoeira Véu da noiva.
Ali você pode optar em deixar sua bicicleta
no bar ao lado ou seguir pedalando na gostosa trilha,(
o que é indicado somente para os mais experientes
no mountain bike). Fique atento nas pontes de madeira
que podem escorregar. Praticamente todo o trajeto
de quase um quilômetro é pedalável.Próximas à cachoeira
algumas raízes vão dificultar bastante.
A recomendação é deixar a bicicleta
por ali e seguir caminhando por uns 50 metros. A
Cachoeira só é visível para
quem ficar bem no meio do rio. É preciso muito
cuidado para não escorregar! Para quem segue
a pé, a dica é trocar as sapatilhas
por um calçado apropriado para caminhada.
Após a visita, o trajeto segue por uma longa
e tranqüila subida. A cada quilômetro
percorrido, embrenha-se mata adentro. Fique atento
no quilômetro 18:quase no meio da descida,
próximo a uma fazenda não vá muito
embalado, para não acabar passando a entrada,
que fica em uma pequena estradinha. Dali pra frente
o trecho é mais legal, desabitado.A estradinha
fica bem estreita, com o mata quase cobrindo a estrada.
As araucárias se sobressaem imponentes em
meio à farta vegetação. Após
este trecho de mata, já próximo de
Alto do Cedro, a paisagem se transforma devido a
uma grande represa, formando também um visual
belíssimo. Nesse trecho, ao lado da represa
fique atento também com o movimento dos carros.
O final do trajeto é em frente à Pousada
Parador da Montanha, o ponto alto da viagem em matéria
de hospedagem.
A região de Alto dos Cedros faz parte do
município de Rio dos Cedros, que também é de
origem italiana. São várias casas de
veraneios,que ficam próximos aos lagos Rio
Bonito e Pinhal.
Dicas em Alto do Cedro
- São poucas as opções de
hospedagens no local, em especial neste trecho. É melhor
fazer uma reserva antes, principalmente em um fim
de semana.
- Hospedar-se na Pousada
Parador da Montanha é o
ponto alto da viagem. É uma confortável,
charmosa e aconchegante pousada em frente à represa
e com um atendimento especial e diferenciada. A
comida também é excelente, transformando
a parada em um ótimo local para repor as
energias de vários dias de pedal.
- Vale a pena ficar dois
dias nesta pousada. Após
completar a etapa seguinte até Palmeiras
recomendo voltar para a Pousada Parador da Montanha
de Carro (15 km – se não tiver apoio combine
com a pousada) ou mesmo pedalando (se tiver perna).
Neste caso informe-se em Palmeiras como voltar:
há somente uma subida de uns dois quilômetros.
Alto dos Cedros
a Palmeiras – 44, 5 km com
início na Pousada Parador da Montanha.
Ascensão Total – 794 metros / elevação
máxima 611 m.
Mais um dia com paisagens
maravilhosas com muito mata, paredões de rocha em meio a montanhas
e lagoas. É talvez o trecho mais tranqüilo
para pedalar, pois durante todo trajeto curtas subidas
e descidas se alternam. Especial atenção
na planilha do site oficial, na quilometragem 4,
3, que indica para seguir em frente, o correto é pela
direita. E lá pelo quilômetro 30 um
novo desvio foi inserido no roteiro para a visita
de uma linda cachoeira. A etapa termina em Palmeiras
um povoado bem simples e com um povo bastante hospitaleiro.
Palmeiras a Timbó – 55
km
Ascensão total – 670 metros / elevação
máxima – 617 m
A última etapa do trajeto, mesmo passando
por trechos mais habitados não deixa de ser
bonito. É um dia com muitas descidas, uma
delas com quase dez quilômetros - a mais longa
de todo o circuito. No fim da descida, no bairro
do Cedro Alto, o roteiro segue agora pela estrada à esquerda
do rio e não mais à direita. É muito
mais tranqüila e bonita. Por um longo tempo
pedalamos as margens de uma gostosa e tranqüilizante
corredeira. Após retornarmos a estrada principal,
fique atento no quilômetro 25, pois o trajeto
sai da estrada principal e segue por uma alternativa
bem tranqüila. Dois quilômetros depois,
aparece a subida mais íngreme de todo o trajeto.
São apenas 1,5 quilômetros, mas que
faz as pernas queimarem. Passado o desafio mais descida
até Benedito Novo. Passamos em frente de dezenas
de locais onde são produzidos artesanatos
de Vime, da Cana-da-Índia. Seguimos o trecho
de terra final margeando o Rio Itajaí. Os
quilômetros finais são pelo asfalto
finalizando na bela Ponte, da represa ( que foi construída
pelos imigrantes alemães em 1880, para gerar
energia para a primeira indústria do município),
no coração da cidade de Timbó.
Fique de Olho
- Toda educação e hospitalidade do
povo de Santa Catarina se transformam quando as
pessoas estão dentro dos veículos. É preciso
ter muito cuidado, pois as bicicletas geralmente
não são respeitadas pelos motoristas.
- O Passaporte do Cicloturista é retirado
em Timbó no Restaurante Thapyoka. O Dimas,
o proprietário do local, é um dos
idealizadores do circuito. Lá também é entregue
o certificado de conclusão do Circuito.
O restaurante é também um dos pontos
fortes da viagem, vale a pena comer lá.
- Este é um circuito novo, onde algumas
atualizações e correções
na planilha do circuito estão sendo atualizadas
no site oficial do roteiro. Mas dificilmente o
cicloturista se perderá. É só ter
atenção nas indicações
das setas amarelas pintadas nos postes, cercas
ou das diversas placas indicativas espalhadas ao
longo do percurso.
- Estar com a planilha
e o odometro do ciclo-computador aferido também é importante. Na maioria
das vezes as indicações em planilhas
poderão ter algumas diferenças, mas
facilmente identificadas sem o perigo de levar
o ciclista para outra direção.
- Os melhores meses para
percorrer o Circuito: de maio a agosto. Evite
o mês de outubro,
quando acontece diversas festas na região
e o verão que faz muito calor e chove constantemente.
- Estradas de terra e
bicicletas equipadas com alforje não combinam muito, pois em trechos
irregulares com pedras ou buracos faz a bicicleta
perder o equilíbrio. Recomendamos sempre
ter um carro de apoio, pelo menos levando as bagagens.
- Para quem pretende realizar
uma viagem agradável
de bicicleta, em meio à natureza, recomendo
iniciar a viagem em Rodeio e terminar em Pomerode
e lá ficar pelo menos mais um dia para conhecer
os diversos atrativos da cidade ou mesmo para uma
pedalada local.
- O Sampa Bikers leva
grupos fechados de ciclistas para pedalar no
circuito durante o mês de
Julho, no trecho entre Rodeio a Pomerode.
- O site oficial do circuito é o www.circuitovaleeuropeu.com.br